Guiado por Zoenar, adentro esta pirâmide nefasta, a fim de recuperar o flagelo enviado dos céus para abençoar as plantações, usurpado pelo tirano Ludvan tempos atrás.
Quando a lança atravessa o peito do feiticeiro que defende sua tumba, a poeira que resta do corpo se transmuta, se unindo à infinitude de areia que cobre o salão.
A antiga estrutura começa a ceder. Corro na direção da saída, apesar do longo caminho, Zoenar me guiou até aqui, não há de me abandonar.
A paasagem pela qual cheguei até aqui está restrita pelas pedras que caem, nenhuma fresta para aproximar a lança abençoada, esperança de meu povo, da entrada da tumba. A areia não para de invadir o corredor em que estou. Corro em busca de outro caminho, mas sou encurralado no salão onde matei Ludvan. Tento barrar os portais usando escombros e estátuas. Quando paro para descansar, olho para cima. Desespero. Sem saída, a areia flui das fissuras no teto, que ao desmoronar, eleva o desespero.
-Servi Zoenar para que abençoasse nossas terras, e agora que poderia dar um fim nessa maldição, estou encurralado... - Finco a lança no chão, rapidamente a areia cobre a haste. - espero que veja minhas intenções e tenha piedade de meu povo.
Me ajoelho diante da lança e rezo, até que uma voz me interrompe:
-Desista! O que te leva a pensar que uma divindade ajudaria um bando de ordinários? Não fará diferença que o sangue de todos banhe essa terra maldita.
Levanto a lança para cima e grito: - Seu corpo já se tornou pó, siga seu caminho para as chamas, amaldiçoado!- Fecho os olhos, exalando a confiança da crença. - Zoenar não me abandonou, não foi em vão que matei Ludvan ou qualquer outro herege. O sangue nutre as plantações, se for o meu próprio, não haverá problema.
Arremesso a lança para o alto, oferecendo meu peito desnudo pela fartura de meu povo.
Ferramentas
Sistema: Ampulheta
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Oráculo: parte não usada do baralho para o sistema
Preto: sim
Vermelho: não
Números representam intensidade
J, Q, K representam personagens
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